Artigo com Drº Adroaldo Dal Mass

OPINIÃO x OPINIÃO

Há alguns dias tive a honra de ser convidado pelo amigo Benini para fazer parte do grupo de colaboradores do seu periódico, Jornal Cidades. O objetivo é que eu passasse a escrever permanentemente, para todas suas edições, uma coluna de opinião.
Evidentemente que toda vez que alguém lhe faz um convite, em especial como esse, para além do orgulho que se sente, se deve parar para pensar se, em o aceitando, estaria o convidado em condições de atender não apenas as expectativas de quem convida como, em especial, de quem será o destinatário de cada um dos escritos opinativos. Afinal, conhecer, analisar e opinar sobre assuntos do nosso cotidiano, que vão desde a urbi et orbi, requer uma série de atributos e responsabilidade.
Além disso, é preciso ter em mente que o mundo da opinião talvez seja o maior dos mundos nos dias de hoje, já que, com o advento de tantas formas de comunicação individual pelas mais variadas ferramentas eletrônicas, não apenas cada um tem, como cada um pode expressar, e na maioria das vezes expressa, a sua. Então, talvez, não haveria razão de ser de mais um a dar opinião.
Então, me lembrei de Platão, aquele conhecido filósofo que viveu 400 anos antes de Cristo. Ele não apenas não gostava, como odiava a tal de opinião, que eles gregos chamavam de dóxa. E para isso tinha ele um motivo: como pensador e mestre de tantos que o procuravam na Academia, sua escola de filósofos, acreditava que a dóxa era em si mesma algo vazio de valor, eis que, como tal, mera opinião, se contrapunha ao verdadeiro conhecimento, no caso, aquilo que chamavam de sabedoria, ou, em grego, sofia. Daí a diferença Platônica entre a filodóxa e a filosofia. Claro que estava puxando a brasa um pouco para seu assado, como se diria hoje em dia, já que como filósofo, ele, assim como seus colegas, seriam os detentores, então, da verdadeira sabedoria e, por isso mesmo, da verdadeira e basilada “opinião”.
Tendo me lembrado disso, resolvi aceitar o honroso convite e, por isso mesmo, escrevi esta primeira coluna que alguns estão lendo, na esperança de que nossas opiniões aqui, a partir desta edição, não sejam meras opiniões no sentido pejorativo dado por Platão, mas no sentido de sua visão mais profunda, que só é possível quando se está “opinando” sobre o que possa trazer conhecimento e, a partir daí, para quem o desejar, sabedoria.Com essa missão e este objetivo, espero não apenas atender as expectativas do editor deste periódico, como sobretudo daqueles que, eventualmente, derem um pouquinho do seu tempo para ler sobre o que temos para dizer e opinar, na esperança de que possamos fazer a diferença para melhor, assim como uma boa e bem colocada pedra pode fazer a diferença para melhor em uma grande obra.
Assim, ciente da responsabilidade que nos acompanha a partir de hoje, bem como na certeza de que dar opinião é sempre estar em uma posição que nem sempre agrada a todos, assumimos este desafio, e, é claro, assumindo sobretudo a responsabilidade daquilo que viermos a escreve, aliás, como sempre o fizemos.




Deixe uma resposta