O Partido da República aproxima-se de Jair Bolsonaro para ampliar sua bancada

 

Mesmo integrantes da cúpula do PR (Partido da República) contrários a uma aliança com o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ) à Presidência já admitem, nos bastidores, que a coligação mais provável do partido na eleição presidencial é com o militar da reserva. “De 0 a 10, a chance de isso acontecer hoje é 8”, admite um dos principais articuladores da legenda, que tem potencial para aumentar em cinco vezes o exíguo tempo de propaganda na TV do deputado.

Bolsonaro tem como um dos principais pontos fracos contar com apenas 9 segundos nos programas eleitorais. A cada dois dias, o pré-candidato terá apenas um comercial de 30 segundos na TV. Só o PSDB do ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, terá seis comerciais no mesmo período, sem contar a propaganda dos partidos aliados – o tucano está em negociações avançadas com PTB, PSD, PPS e PV.

As conversas são lideradas pelo ex-deputado Valdemar Costa Neto, que mesmo sem cargo oficial comanda o PR, e o presidente do PSL, o advogado Gustavo Bebianno. Ambos já tiveram várias reuniões nos últimos meses, segundo políticos dos dois partidos, mas Bolsonaro nunca se reuniu com Costa Neto – que foi condenado no mensalão – para tratar da aliança.

O PR não exige a vaga de vice e nem tem nome fechado para oferecer. O pré-candidato tem defendido o senador Magno Malta (ES), mas esse não é o nome da cúpula do partido – e ele próprio vai e volta sobre concorrer à reeleição ou não. Recentemente, a um aliado de Bolsonaro que o questionou, Malta respondeu que consultou Deus e esperava resposta até 15 de julho, véspera das convenções, para decidir.

Há grupos no Nordeste ligados ao PT e que são contra a aliança, mas, segundo relatos, Costa Neto estaria se convencendo: acha que Bolsonaro, que lidera as pesquisas, mas tem um partido pouco estruturado, é o presidenciável com mais condições de aumentar a bancada do PR no Congresso Nacional, seu principal objetivo para continuar a influenciar os futuros governos.

A cúpula da legenda não vê as outras alternativas com o mesmo potencial de ajudar os planos congressuais do PR. Se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pudesse concorrer, o partido estaria fechado com ele. Como está inelegível, a sigla não cogita apoiar o candidato substituto.

Costa Neto não gosta de Ciro Gomes (PDT) nem Marina Silva (Rede) e vê com pé atrás as chances de Geraldo Alckmin (PSDB), que “não empolga”. O recente movimento de DEM, PP e SD para isolar o tucano só tem aumentado as reticências em relação ao PSDB.

A candidatura própria, do empresário Josué Gomes, também é improvável. O partido fez uma pesquisa qualitativa e mandou os resultados para ele decidir. “Na segunda-feira teremos um retorno dele”, afirmou o líder do PR na Câmara, José Rocha. Ele diz que não avaliou os resultados, mas que um dos achados é algo já sabido: o empresário é desconhecido do público. “Quando foi dito que ele é filho de José Alencar, melhora um pouco”, afirmou. Alencar foi vice-presidente nos oito anos de governo Lula. O que a pesquisa mostra é que o perfil do empresário agrada aos eleitores ouvidos. “O perfil dele é espetacular”, completou.

Aliados mais “ideológicos” de Bolsonaro apostam que as conversas não avançarão. “O Gustavo conversa porque é mais aberto, mas duvido que o Bolsonaro tope. Mais valem 9 segundos para dizer Bolsonaro 17 [número do PSL] do que 50 segundos e perdermos o discurso. O PR não sabe atuar sem o toma lá dá cá que queremos combater”, diz um membro da tropa-de-choque do presidenciável.




Deixe uma resposta