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Intenção de Consumo das Famílias cai pela terceira vez no RS

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Cautela prevalece na decisão de compra de gaúchos


Julho registrou a terceira variação negativa consecutiva na Intenção de Consumo das Famílias (ICF) no Rio Grande do Sul, conforme pesquisa divulgada pela Fecomércio-RS nesta terça-feira (30/07). O índice deste mês foi de 89,4 pontos, um pequeno recuo de 0,7% em comparação a junho, quando registrou 90,0 pontos. Na média dos 12 meses, houve aumento do indicador, alcançando 86,8 pontos. Embora esteja em patamar pessimista, quando comparado a julho do ano passado, o ICF apresentou alta de 20,7%, que ocorre em virtude da base de cálculo extremamente deprimida. O ICF pode ser acessado aqui.

Para o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, a postura das famílias deve se manter cautelosa enquanto a expectativa de recuperação econômica não se confirmar. “Com um mercado de trabalho enfraquecido e recuperando-se lentamente, a intenção de consumo deve permanecer indicando moderação na decisão de compra dos gaúchos”, comenta.

Entre os subindicadores que compõem o índice, apenas dois se mantêm acima dos 100 pontos (neutralidade): situação do emprego (116,1 pontos) e situação da renda (101,2 pontos). Já o consumo atual e a perspectiva de consumo estão próximos dos 100 pontos, porém abaixo; acesso ao crédito, momento para bens duráveis e perspectiva profissional seguem em patamar pessimista. 

Na análise do mercado de trabalho, o indicador de situação do emprego teve pequena variação (-0,5%) frente ao mês anterior, registrando 116,1 pontos. Em comparação a julho de 2018, foi verificada alta de 11,7%, ao passo que a média em 12 meses teve aumento para 110,4 pontos. “A lenta retomada do mercado de trabalho impede que a percepção das famílias em relação ao emprego avance. De acordo com dados do Ministério do Trabalho, a geração de empregos no estado perdeu força quando consideramos o acumulado até junho deste ano: foram criadas 21.538 vagas formais, enquanto no mesmo período do ano passado os números eram de 27.011”, destaca Bohn.

Sobre a situação da renda atual, houve aumento de 17,9% em relação a julho de 2018, enquanto na margem foi registrada redução de 0,7%. Os resultados por faixa de renda mostram que a variação negativa da margem foi puxada pelo resultado das famílias com renda superior a 10 salários mínimos, uma redução de 135,5 para 130,6 pontos. Já entre as famílias com renda inferior a 10 salários mínimos, o indicador manteve-se praticamente estável, com 94,2 pontos.

O nível de consumo atual registrou 96,9 pontos, redução de 3,2% com relação a junho de 2019. Desta forma, o indicador retorna ao nível pessimista após nove meses acima dos 100 pontos. Em relação a julho de 2018, o aumento foi equivalente a 31,1%, uma comparação com um período em que o índice era baixo: 73,9 pontos. Neste subindicador, a observação por faixa de renda mostra recuo em ambos rendimentos: entre as famílias com renda inferior a 10 salários mínimos houve queda, ao passar dos 90,7 pontos aos 88,6 pontos, enquanto nas famílias com renda superior a 10 salários mínimos a retração foi dos 139,1 pontos para 131,5 pontos.

O indicador que avalia a percepção em relação ao acesso ao crédito, por sua vez, avançou 3,0% na margem. Contudo, mesmo estando acima do patamar do mesmo período do ano anterior, o indicador registra 71,7 pontos, permanecendo distante da neutralidade e indicado a persistência da percepção de uma maior dificuldade na contratação de crédito pelas famílias.

Com relação ao consumo de bens duráveis, em julho o indicador registrou 60,4 pontos, recuando 4,5% ante junho; em relação ao mesmo período do ano passado, houve alta de 11,4%. O indicador, que se mantém em patamar pessimista desde janeiro de 2015, aponta que as famílias, diante de uma percepção de acesso ao crédito dificultado, e com menor certeza em relação à renda futura, não percebem o momento como favorável para se comprometer com a compra desses bens.

Sobre as expectativas, o indicador de perspectiva profissional registrou 82,0 pontos, avanço de 14,7% com relação a julho de 2018 e variação de 3,4% em comparação a junho deste ano. Já a perspectiva de consumo registrou 97,2 pontos, recuando 2,0% na passagem entre junho e julho, indicando famílias mais cautelosas em relação à expectativa futura de consumo.




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