A paisagem e a cidade são debatidas em encontro estadual do setor da floricultura.

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A paisagem e a cidade são debatidas em encontro estadual do setor da floricultura

Promoção, realizada nos dias 12 e 13 de julho, reuniu profissionais e especialistas reconhecidos em todo o país

Com o objetivo de integrar os profissionais do paisagismo com a área de produção e distribuição de produtos adequados ao setor, mantendo o nível técnico de ambos os segmentos, Nova Petrópolis sediou, nos dias 12 e 13 de julho, o 5º Encontro Estadual do Setor da Floricultura do Rio Grande do Sul e a 4ª edição do Criando Paisagens.

A iniciativa, promovida pela Associação Riograndense de Floricultura (Aflori), juntamente com a Sálix Paisagismo e a Floricultura Ursula, reuniu durante os dois dias, profissionais e especialistas reconhecidos em todo o país. Com o tema “A paisagem e a cidade”, seis palestras destacaram questões de mercado, áreas públicas, jardins urbanos, topografia, paisagem urbana, legislação e a interdisciplinaridade no paisagismo.

“É em conjunto que temos de trabalhar na ação de educação e divulgação. O paisagismo é uma atividade complexa e muito mais ampla que simplesmente projetar jardins, já que leva em conta a interação do homem com o meio ambiente, espaços públicos, entre outros”, destacou o presidente da Aflori, Valdecir Ferrari.

Segundo ele, o evento foi aprovado pelos participantes, principalmente por apresentar temas amplos, tanto no campo teórico como prático do paisagismo. “Os temas abordaram muito bem essa amplitude com exemplos de profissionais que tem o conhecimento teórico e seus projetos já executados”.

Integraram a programação do evento, Eliana Azevedo (paisagista e artista plástica, presidente Associação Nacional de Paisagistas), Maria Cândida de Paula (arquiteta paisagista, diretora da Flora Nativa), Toni Backes (paisagista e engenheiro agrônomo, proprietário da Toni Backes Paisagismo), Edemar Streck (Doutor em Ciências do Solo pela UFRGS, técnico em Solos da Emater), Mariana Pavlick (Mestre em Planejamento Urbano e Regional pela USP, professora da UniRitter), Hans Hesse (Mestre em Plantas Ornamentais, diretor da Floricultura Úrsula), Frederico Karam (coordenador de projetos, Inflorescência Paisagismo) e Sandro Sander (paisagista e gestor ambiental, diretor da Jardineiro Garten).

A promoção, no entanto, deixou algumas lições significativas, alertando para a necessidade de uma unidade maior do setor. “Temos muito trabalho e a direção é uma só: profissionalismo e junção de esforços através de grupos associativos de quem faz acontecer profissionalmente”, definiu Ferrari.

Além desta, também existe a necessidade de maior investimento em tecnologia, inovação, eficiência produtiva e de gestão. “É fundamental que todos entendam a responsabilidade que temos, com a criação de espaços públicos e privados, integrados em um conjunto que humanize o convívio social, melhore o bem-estar, valorize o meio ambiente e diminua a intervenção não natural”.

Interdisciplinaridade das palestras foi a grande conquista do evento

Interação entre as apresentações recebeu a aprovação do público, principalmente pela diversidade de temas

Se a teoria de que a união de esforços é uma ferramenta que proporciona melhores condições para o êxito, integração do 5º Encontro Estadual do Setor da Floricultura do Rio Grande do Sul e do 4º Criando Paisagens pode ser considerado um exemplo prático.

Porém, a junção, por si só, não garante o sucesso. É preciso que um evento que se propõe a observar a interdisciplinaridade no paisagismo tenha, na sua programação, uma lista de assuntos e profissionais que interajam entre si e se completem. E foi isso que aconteceu.

Logo na abertura, a arquiteta Maria Cândida de Paula falou sobre o mercado de paisagismo. Pediu atenção aos profissionais, já que a velocidade das mudanças está atingindo todos os segmentos e o comportamento dos consumidores muda ainda mais rápido. “Esteja sempre atento ao que acontece ao seu redor. É preciso se colocar no lugar dos clientes para entender o que eles procuram. Molde-se a eles. Não espere que eles se moldem a você.

Na sequência, uma aula sobre vegetação para áreas públicas, com o Mestre em plantas ornamentais, Hans Hesse. Ele apresentou os principais tipos de vegetações para praças, rodovias, parques e áreas próximas a empresas e residências, além de listar exemplares de vários portes e quais são seus melhores usos.

A Mestre em Planejamento Urbano e Regional, Mariana Pavlick, alertou quanto à importância dos sistemas de áreas verdes e como a recomposição deste sistema pode contribuir para uma maior sustentabilidade ambiental, melhoria da paisagem urbana e qualidade de vida nas cidades. Por sua vez, o Doutor em Ciências do Solo, Edemar Streck, chamou a atenção para a sustentabilidade, tanto no meio rural como no setor urbano.

O segundo dia de palestras iniciou com o coordenador de projetos da Inflorescência Paisagismo, Frederico Karam, que falou sobre as intervenções na paisagem urbana. Karam chamou a atenção para as questões éticas envolvidas no relacionamento entre os profissionais e seus clientes e a elaboração de projetos que atendam a real necessidade de cada contratante.

A presidente Associação Nacional de Paisagistas, Eliana Azevedo, disse que é preciso uma maior proximidade dos profissionais paisagistas com a realidade das cidades e o comprometimento com a solução de seus problemas, sem perder a conexão com a natureza

“É preciso uma mudança de paradigma. Não se pode mais desprezar o papel da natureza na elaboração dos projetos. A evolução da humanidade mostra que nós nunca deveríamos ter permitido o desenvolvimento sob o custo de prejuízos ao meio ambiente o uso indiscriminado dos recursos naturais”, alertou.

Ela também relatou como está o andamento do projeto que prevê a regulamentação da profissão de Paisagista. O PL 2043/11 já tem parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, mas ainda não tem data para ir à votação. Segundo ela, a regulamentação vai possibilitar a formação de profissionais com maior qualificação e capacidade para cumprir as demandas específicas do setor.

As atividades encerraram com o debate sobre a interdisciplinaridade no Paisagismo, com a participação do paisagista e engenheiro agrônomo, Toni Backes (Paisagista e Eng. Agrônomo), da arquiteta Maria Cândida de Paula e do paisagista Sandro Sander. Ao final, também houve uma visita técnica ao sítio de produção e pesquisa da Floricultura Úrsula.




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