As investigações da Operação Lava-Jato já mobilizam as autoridades de 55 países

45

A Operação Lava-Jato levou o país a aumentar, em nível nunca antes visto, o número de pedidos de cooperação internacional. Já foram 570 desde março de 2014, quando a primeira ação foi às ruas: a média é de uma solicitação a cada três dias. A estatística deve subir ainda mais com a última operação no Rio de Janeiro, a “Câmbio, Desligo”, contra uma rede formada por doleiros que movimentou US$ 1,6 bilhão por meio de 3 mil empresas off-shores no exterior.

Os 570 pedidos feitos até o momento englobam 55 países e territórios autônomos, ou seja, um quarto do mundo foi, de alguma forma, atingido pela investigação do maior escândalo brasileiro. O número engloba tanto demandas feitas pelo Brasil a outras nações quanto a via contrária. Mesmo com quatro anos de operação, o número de pedidos aumenta a cada ano.

Essas investigações são concentradas no DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional), que faz parte do Ministério da Justiça. PF (Polícia Federal), MPF (Ministério Público Federal) e Justiça Federal remetem suas demandas ao órgão, que, por sua vez, as encaminha aos países.

As solicitações envolvem, por exemplo, quebras de sigilo bancário, buscas, apreensões, depoimentos de testemunhas, bloqueios de bens e repatriação de ativos localizados no exterior. “De início, havia muito mais pedidos do Brasil para os outros países. As solicitações das outras nações crescem mais que as nossas”, conta Isalino Giacomet Júnior, coordenador-Geral de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do DRCI.

Ampliação

Ao todo, 60% das demandas são feitas pelo Brasil a outros países, e 40% vêm de fora – índice incrementado por investigações sobre a empreiteira Odebrecht no exterior. Antes da Lava-Jato, a investigação que havia gerado maior quantidade de pedidos de cooperação, 186 no total, foi a Operação Banestado, deflagrada no início da década passada e que mirou doleiros.

Entretanto, quase todas as demandas foram para os Estados Unidos. Com o passar dos anos, os criminosos sofisticaram a lavagem de dinheiro, usando contas e offshores em vários países, para dificultar o rastreio do dinheiro.

Hoje, a maior parte dos pedidos brasileiros são dirigidos à Suíça, mas já foram direcionados a lugares mais inusitados como Curaçao, no Caribe. Foi quando a PF em Curitiba pediu uma quebra de sigilo bancário para subsidiar investigação de pagamentos de propina a agentes públicos como contrapartida pela formalização de contratos com a Petrobras.

O Brasil também já fez pedidos a países como Gibraltar, Macau, Israel, Andorra e Bahamas. Uma parte considerável dos pedidos são feitos ao Uruguai. “O país tinha uma legislação mais branda com relação à lavagem de dinheiro. Era considerado um paraíso fiscal, permitia que offshores fossem instaladas lá. Mas, há uma mudança na legislação de uns tempos para cá”, explicou o coordenador da força-tarefa do Rio de Janeiro, Eduardo El Hage.

 

 




Deixe uma resposta