Cultivo de uva de mesa é alternativa para agricultores de Bento

A produção de uva, cultura permanente, é resultado da forte influência da colonização italiana e está concentrada principalmente no nordeste do Estado com destaque para a região da Serra. Todos os municípios localizados na região produzem uvas, com destaque para Bento Gonçalves que possui uma produção média anual de 98.786 toneladas/ano.

No Distrito do Vale dos Vinhedos, região certificada e reconhecida como produtora de vinhos finos, bem como nos Distritos de Faria Lemos, Tuiuty e São Pedro, inicia o surgimento de uma “dissidência” entre os produtores de uva. A uva para vinho continua a representar a maior parcela dos plantios, entretanto, alguns produtores, embora não tenham deixado de lado as uvas para as indústrias, acrescentaram outras variedades e a forma de cultivo, optando pela uva de mesa, vendida in natura e, em alguns casos, colhida no próprio pé, pelo consumidor.

Segundo dados atualizados da Emater, já são mais de 22 hectares dessas variedades, cultivados sob plásticos, técnica que garante mais qualidade final e redução na aplicação de agrotóxicos. Há poucos anos, segundo a Embrapa Uva e Vinho, eram apenas cinco hectares.

O município de Bento Gonçalves abriga propriedades com áreas de cultivo com as uvas de mesa, em fase de expansão, na medida em que os produtores vão dominando a novidade e se adaptando às exigências do novo cultivo de uva sob cobertura.
As variedades de mesa produzidas na região são: Itália, Niágara Branca e Rosada, e Rubi, que se acrescentam ao espaço da Isabel e outras americanas e viníferas.

Diversificação e aumento da riqueza nas propriedades

As principais razões para a expansão das variedades de uvas de mesa na Serra Gaúcha, conforme especialistas e produtores, são a necessidade de diversificação das propriedades e, principalmente, a demanda aquecida e o alto valor agregado dessas frutas.

De acordo com o secretário de Desenvolvimento da Agricultura, Dorval Brandelli, “reinventar-se dentro da atividade, partindo do mesmo produto, acrescentando valor ao produto e aumentando o lucro, afirmativa econômica e de marketing responsável pelo crescimento e desenvolvimento, é o que está sendo praticado nesse contexto. Ao mesmo tempo em que se mantém a produção de uvas tradicionais para vinhos e sucos, o novo filão de uvas de mesa, em cultivo tradicional e agora em cultivo protegido, está se mostrando uma excelente oportunidade de negócio, atendendo o princípio econômico mencionado”.

“Além de abastecer supermercados e fruteiras em diversos municípios do Estado e até em Santa Catarina, muitos produtores vendem diretamente para o consumidor final, que vêm até a propriedade para colher a uva. Além de aumentar a riqueza na propriedade, é um programa turístico”, afirma Rudimar Cavalli, produtor de uva Niágara Rosada protegida, cultivada em uma área de dois hectares, no Distrito de Faria Lemos, que há alguns anos decidiu apostar no cultivo das uvas de mesa.

Rudimar conta que, por 50 anos, sua família trabalhou somente com variedades de uvas próprias para a produção de vinho e suco. “Há alguns anos, porém, o preço dessas uvas não têm compensado”, diz Cavalli. “Passamos então a procurar uma alternativa mais lucrativa e, motivado pelo preço atrativo, decidimos testar o plantio das uvas Niágara numa área pequena, de três mil metros quadrados. Hoje temos mais de 20 mil metros quadrados de parreirais instalados e estamos satisfeitos com o resultado, apesar de que o manejo das uvas de mesa é diferente e os custos de produção, mais altos”, finaliza.

Estudos realizados pelas áreas de pesquisa e extensão e pela própria Secretaria da Agricultura apontam que nos próximos anos haverá expansão da área de cultivo, pois o consumo tem crescido significativamente, o que leva muita gente a investir. Segundo os especialistas, o aumento no consumo está ligado à melhoria da qualidade das uvas de mesa produzidas na região, que por sua vez está ligada à adoção de uma técnica de cultivo muito comum na produção de morangos, introduzida na região há cerca de 15 anos: o cultivo protegido.

A importância da Uva de Mesa

É uma diversificação na viticultura que pode render bom retorno ao produtor rural, devido ao valor agregado que a fruta adquire. Contudo, as características de clima e solo da região fazem com que seja necessário usar de algumas tecnologias de manejo específicas para obter alta produtividade e qualidade dos cachos, tais como o cultivo protegido (por causa das chuvas na época da maturação), poda (o solo daqui resulta em videiras mais vigorosas do que em outras regiões), manejo de cachos e da carga produtiva (o clima mais frio resulta em cachos e bagas maiores, com a vantagem de expressarem a coloração mais facilmente, no caso das uvas coloridas) e manejo de doenças e pragas.

A Embrapa Uva e Vinho atua no segmento de uvas de mesa nas principais regiões produtoras e já criou oito novas cultivares de uvas para mesa, com grande sucesso (ex. BRS Vitória, BRS Núbia e BRS Melodia). A demanda de produtores da região por tecnologias para a produção adequada na Serra Gaúcha impulsionou um projeto em andamento que está gerando informações importantes para definir um sistema de produção adequado para a região. A pesquisa inclui o estudo do desempenho de cultivares tradicionais e cultivares criadas pela Embrapa (BRS Clara, BRS Morena, BRS Núbia, BRS Vitoria e BRS Isis e BRS Melodia). Uma equipe de pesquisadores está coletando informações que permitirão definir um conjunto de práticas de manejo para uma produção adequada de uvas de mesa de qualidade.

Segundo os pesquisadores da Embrapa CNPUV de Bento Gonçalves, Patricia Ritschel e João Dimas Garcia Maia, coordenadores do Programa de Melhoramento Genético da Videira da Embrapa “o cultivo das novas variedades representa um grande avanço para a viticultura brasileira, pois vai permitir uma redução nos custos de produção, com menos danos para a saúde do trabalhador e para o meio ambiente”.

 

 

 

Assessoria de Comunicação Social da Prefeitura

Fotos: Laura Kirchhof




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