Fórum de Educação Profissional e Tecnológica realizado em Bento Gonçalves finaliza com a aprovação de uma Carta à Sociedade

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A aprovação de uma “Carta à Sociedade” marcou o encerramento do  II Fórum de Educação Profissional e Tecnológica do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) na tarde de quarta-feira, 21 de agosto de 2019, no Campus Bento Gonçalves. Aproximadamente 170 professores, técnicos administrativos em educação e estudantes dos 17 campi e da Reitoria do IFRS participaram do evento, que promoveu reflexões sobre êxitos, obstáculos e perspectivas da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica durante os dias 20 e 21 de agosto.

Na carta, os participantes defendem a valorização da educação pública e a promoção da ciência de forma autônoma, crítica e independente como o caminho para superar as profundas desigualdades existentes no país. Manifestam-se também contra “quaisquer retrocessos nas políticas públicas educacionais e no pleno desenvolvimento científico e tecnológico do país”. O texto ainda aponta preocupação com o projeto “Future-se” e pede a reversão imediata dos cortes orçamentários das instituições de ensino federais (leia a íntegra da Carta).

Mesa de encerramento

A aprovação da carta ocorreu ao final da mesa de encerramento do evento, que reuniu o reitor do IFRS, Júlio Xandro Heck, a reitora do Instituto Federal Farroupilha (IFFar), Carla Comerlato Jardim, e a doutora em Educação e professora adjunta da Universidade do Estado do Rio de Janeiro Marise Nogueira Ramos. Eles abordaram o tema “Perspectivas e Desafios da Educação Profissional”. O pró-reitor de Ensino do IFRS, Lucas Coradini, atuou como mediador.

Os três palestrantes destacaram preocupação com o momento atual para a educação pública nacional, a partir da Emenda Constitucional 95, que limita os investimentos púbicos em educação. Foi consenso também que a aproximação entre as instituições federais de ensino e a comunidade e o apoio social são fatores determinantes para que a educação pública federal possa ser mantida com qualidade.

Marise abordou legislações e diretrizes relacionadas à educação no Brasil ao longo do tempo e alertou para a difusão de um sentimento de crise instaurado no país que vem autorizando medidas construídas de forma não democrática e divulgadas como atualizações das diretrizes.

Carla salientou que os IFs nasceram com a proposta de conjugar o pensar e o fazer, a ciência e o trabalho, e de atuar para a inclusão e grandes desafios. A reitora do IFFar frisou a necessidade, além de respaldo social, de apoio do Congresso Nacional e de luta para a educação como um bem público. Ela citou a frase de Mario Quintana: “Democracia é dar a todos o mesmo ponto de partida…”, concluindo: “Para mim, os IFs nasceram para isso”.

Júlio abordou aspectos do projeto “Future-se” e disse que ele é pouco detalhado e não foi pensado para os Institutos Federais, pois há muitos campi em municípios brasileiros onde é pouco provável que grandes investidores tenham interesse. Disse que já são 1 milhão de estudantes da Rede Federal de EPCT no país, sendo 564 mil no ensino técnico, mas que esse número é pequeno quando comparado com o de vários países desenvolvidos. Entre os desafios atuais, citou o encerramento do ano de 2019 com todas as unidades em funcionamento, a consolidação de projetos de pesquisa e extensão alinhados às demandas regionais e o aperfeiçoamento da captação de recursos externos e das estratégias de permanência e êxito dos estudantes. Aumentar a inserção nas comunidades em que os IFs estão presentes e participar mais das instâncias municipais e regionais foi necessidades citada pelo reitor.

Outras atividades

Antes da mesa de encerramento, o Grupo Teatral Sem Nome, composto por estudantes do Campus Restinga, realizou uma apresentação provocadora e emocionante, com uma peça sobre o “Retrato da família brasileira”. No turno da manhã do dia 21 de agosto, foi realizada mesa com o tema “Formação Humana Integral, Prática Educativa e Avaliação na Educação Profissional”, tendo como palestrantes as doutoras em Educação Lucília Regina de Souza Machado, integrante do Núcleo de Estudos Sobre Trabalho e Educação da Universidade Federal de Minas Gerais; e Maria Isabel da Cunha, membro da  Rede Sulriograndense de Investigadores da Educação Superior.

O II Fórum de Educação Profissional e Tecnológica IFRS foi uma realização da Pró-Reitoria de Ensino do IFRS (Proen).




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