Jornal Cidades da Serra - Bento Gonçalves - Rio Grande do Sul - Brasil
Artigo do professor Evandro Matana – A SÍNDROME DA NECESSIDADE E DA UTILIDADE.
By Volben Propaganda On 28 dez, 2016 At 04:28 PM | Categorized As Colunistas, Slider Inicial | With 0 Comments

Em um cantinho da sala, às duas da manhã lendo A CABALA, da comida, do dinheiro e da inveja (Bonder, Nilton) abri a mente por alguns minutos a pensamentos aos quais não mais me permitia. Segundo o autor “A pessoa se conhece através de seu copo, seu bolso a sua ira”. Afinal, quem estabelece a utilidade das coisas ou a própria necessidade das coisas. Somos nós, os outros ou o conjunto disso. Quais são as verdadeiras prioridades do ser humano. Bem, aí o campo é muito vasto e depende de inúmeras circunstâncias, como desejos, ambições, visão de mundo. Aquilo que é prioridade para um não necessariamente é para o outro e, ao mesmo tempo, o que é necessário para alguns é desnecessário a outros. Algumas pessoas entendem que as necessidades de sobrevivência, sejam materiais ou espirituais não precisam vir a se tornar algo espetacular. Na simplicidade do cotidiano, a satisfação em fazer as coisas de forma concreta é que verdadeiramente vale a pena. Muitas vezes não nos perguntamos o “porque” daquilo que estamos fazendo, mas, invariavelmente, fazemos porque só queremos ou é “necessário” fazer.
O resultado desta ausência de análise por vezes se torna catastrófico, por não ter se medido a necessidade ou a utilidade do que se está fazendo.

O princípio da SERENIDADE talvez seja o que esteja faltando na maior parte das relações, sejam elas no trabalho, na vida íntima, no próprio SER. Não entendamos aqui que ter serenidade signifique ser omisso. Estamos longe de compreender que as relações humanas vão além do dia a dia, onde estamos plantados em objetivos simplistas e comuns que, por vezes, não nos satisfazem profundamente. A partir daí, há a necessidade de entendimento que satisfação não significa aqui ter apenas o pão de cada dia ou o uso e abuso de prazeres que adquirimos como prática, outrora implantados em nossas mentes pelo pensamento coletivo que é muitas vezes nefasto. Estas satisfações nos tornam apenas mais um em meio à multidão. O ser humano é um poço de criação e de imaginação constantemente ativa. Desta forma, o aumento geométrico de “necessidades” se contrapõe, muitas vezes, a aritmética de utilidade. Na atualidade nos desfazemos de coisas mesmo sem ter aproveitado o seu todo, a sua complexidade.
A “necessidade” da mudança constante se tornou um hábito difícil de controlar. Neste caso não nos referimos somente às questões materiais, mas, também, a mais complexa das necessidades: “a relação humana”. Esta sim carece de uma profunda reflexão, pois na medida em que não nos satisfazemos com algumas coisas que se apresenta como desafio, a síndrome da utilidade (inutilidade) acaba por vencer. Interessante como o ser humano veio a se tornar descartável, substituído como uma moeda de troca. Existe uma expressão que muito entristece: “A FILA ANDA”, como se as pessoas fossem um vão em um trilho de trem. Isto não seria intolerância ou síndrome da perfeição? Isto significa insegurança em não ter às próprias necessidades contempladas de forma plena, ou melhor, quando se opta por aquelas entendidas como “úteis” e “necessárias”. Observando os caminhos da humanidade, vemos a gradativa substituição do homem por animais domésticos. Aliás, como não amar os animais (tenho quatro). Estes dóceis seres não falam, só reclamam quando tem fome, absorvem nossas angústias, envelhecem por nós, enfim, são perfeitos. A perfeição de um “bichinho” de estimação está paralelamente ligada às nossas imperfeições. A ausência de tolerância e a falta de discernimento das coisas mais profundas que são as relações humanas são substituídas aos poucos por novas necessidades, novas utilidades. Com isso, cabe aqui uma profunda reflexão sobre o papel de cada um dentro da sociedade, mas, antes disso, dentro de si. A felicidade pode estar mais próxima do que imaginamos e quando ela parecer pequena engrandeça a mesma dentro de suas perspectivas. ESTAR agnóstico neste mundo não é anormal devido às incertezas da vida. Anormal é TORNAR a vida agnóstica. “CARPE DIEM”.

Leave a comment

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>