Pela primeira vez, o Rio Grande do Sul tem bandeiras pretas no mapa provisório do distanciamento controlado

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Pela primeira vez, o Rio Grande do Sul tem bandeiras pretas no mapa provisório do distanciamento controlado.

 

Em mais um reflexo do agravamento epidemiológico estadual, o mapa provisório da 32ª rodada do distanciamento controlado prevê bandeiras pretas (altíssimo risco para coronavírus), pela primeira vez em sete meses de aplicação do sistema no Rio Grande do Sul. A classificação abrange as “Regiões Covid” de Bagé e Pelotas, na porção Sul do mapa. Já a área de Cruz Alta recebeu status laranja (risco médio), cabendo às demais a cor vermelha.

A bandeira preta representa o nível máximo de restrição no modelo implementado em maio e significa que tanto o contágio quanto a capacidade hospitalar para atender à demanda de pacientes chegaram a níveis críticos. Caso essa classificação se confirme, ambas as áreas terão que adotar restrições ainda mais rígidas às atividades econômicas e sociais.

Como de praxe, prefeituras e associações regionais têm até as 6h deste domingo (13) para recorrer da nova classificação. As respostas devem ser divulgadas pelo Comitê de Crise do Palácio Piratini na tarde do dia seguinte e o mapa definitivo entrará em vigor a partir da primeira hora da terça-feira (15). Os detalhes podem ser conferidos no site oficial distanciamentocontrolado.rs.gov.br

“O momento é de extremo alerta, pois o Rio Grande do Sul observou um aumento em quase todos os indicadores monitorados pela equipe do distanciamento controlado”, ressaltou o governo gaúcho. “Houve elevação, nos últimos sete dias, de 14% nas hospitalizações por Covid-19 (1.174 para 1.338 casos), que alcançou o maior número desde o início do monitoramento.”

“Trata-se, também, do número mais elevado de pacientes em leitos clínicos e de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), além de óbitos. As mortes cresceram 15% nesta semana, chegando a 409 registros no período.

Como resultado, há o menor número de leitos livres (407) no Estado, bem como a menor razão de leitos livres para cada ocupado (0,44), que baixou de 0,5 também pela primeira vez. Por isso, o governo do Estado reforça a necessidade de a população seguir os protocolos e as regras sanitárias estabelecidas pelo modelo.

Análise

Juntas, as “Regiões Covid” de Bagé e Pelotas abrangem 28 municípios e 9,3% da população gaúcha. Em relação ao contingente de mortos recentes por coronavírus, Pelotas apresenta a estatística mais expressiva, com 41 casos fatais nesta semana, quase o dobro dos 23 registros da anterior. Já Bagé registrou mais dez mortes, mesmo indicador da rodada anterior, mas quintuplicou os registros em relação à semana retrasada, quando houve dois falecimentos.

Desde a 26ª semana do Distanciamento Controlado, a região de Pelotas apresenta aumento nas hospitalizações de pacientes com teste positivo. Enquanto na 26ª rodada foram 22 registros, na atual são 87. De forma similar, Bagé apresenta uma alta desde a 28ª semana, quando foram cinco hospitalizações – nesta, foram 23 internações.

A região também registrou aumento n que se refere à ocupação de leitos de UTI, tanto para casos de Covid-19 (38 para 50) como por síndrome respiratória aguda grave (54 para 74).

Com isso, houve redução de 50% na oferta de leitos livres para tratamento intensivo na região, que agora está com 15 unidades – na semana anterior eram 30 e, na retrasada, 35. Foi também contabilizado um avanço, no acumulado de sete dias, nas internações em leitos clínicos: 75 para 102.

Outro indicador com piora nesta área foi a capacidade de atendimento. Enquanto na semana passada havia 0,79 leito livre de UTI para cada leito de UTI ocupado por paciente de Covid, nesta semana o indicador passou para 0,30 – índice mais baixo dentre todas as macrorregiões e da série histórica do sistema como um todo.

(Marcello Campos)