Exportações: mais da metade das empresas já perderam vendas devido à alta dos fretes marítimos

0
81
 

Exportações: mais da metade das empresas já perderam vendas devido à alta dos fretes marítimos.

Pesquisa realizada com empresas e entidades setoriais aponta impactos da alta nos fretes marítimos internacionais

A logística internacional está enfrentando atualmente uma das maiores altas dos fretes marítimos já vistas, causadas pela falta de diversos equipamentos e contêineres para embarques. As dificuldades começaram a se agravar após o reaquecimento da economia como consequência da vacinação.
O cenário atual é de um desarranjo e pouca distribuição de contêineres mundialmente, o que se desdobra em aumento nos custos do transporte internacional, atrasos e disputas para que a carga seja embarcada nos espaços cada vez mais escassos dos navios. Há casos em que empresas esperam semanas para que consiga realizar o booking da mercadoria.
Uma pesquisa realizada pelo Marketplace de fretes internacionais marítimo Talura com 90 empresas inseridas no comércio exterior e 18 entidades setoriais brasileiras – incluindo o Sindmóveis Bento Gonçalves – revelou um aumento médio de 93% nos valores de frete marítimo nos últimos três meses, sendo que há casos que ultrapassam 300%. O fator mais crítico com relação a isso é que 57,3% dos entrevistados afirmam que já perderam vendas devido ao problema marítimo atual.
Alguns especialistas apontam que os valores de frete só se normalizarão em 2023-2024, tempo para que ocorra a movimentação de contêineres para os lugares onde há falta, além da construção de mais navios cargueiros para atender a demanda. Ao podcast do Sindmóveis Bento Gonçalves, o diretor da Talura, Marcelo Brandão, pontua também o afunilamento dos portos brasileiros do Sul e Sudeste, que, basicamente, suprem a demanda nacional.

O manejo da situação, segundo ele, passa por investimentos de longo prazo, a exemplo da atração ao Brasil pelo governo de empresas fabricantes de contêineres. Brandão entende que também seria estratégico se o governo cedesse benefícios fiscais aos exportadores e incentivos fiscais para que os armadores atuassem mais direcionados a portos do Norte/Nordeste.
Por último e de forma mais imediatista, ele sugere que as empresas adaptem seus processos internos de modo a favorecer o planejamento de embarques. “É importante as empresas buscarem um alinhamento junto a seus clientes internacionais e pontuarem a situação atual que afeta os prazos, agindo com transparência e, se possível, buscando previsibilidade de 45 a 60 dias nos bookings”, sugere.