Confirmado terceiro caso da variante Delta do coronavírus na Serra gaúcha. Outras nove suspeitas de contágio estão sob investigação

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Cepa indiana já foi identificada em dois pacientes de Gramado e um de Nova Bassano. (Foto: Divulgação/SUS)
 

Confirmado terceiro caso da variante Delta do coronavírus na Serra gaúcha. Outras nove suspeitas de contágio estão sob investigação.

O Ministério da Saúde informou nesta quinta-feira (22) o terceiro caso da variante Delta do coronavírus no Rio Grande do Sul. Trata-se de um morador de Nova Bassano, na Serra Gaúcha. No começo da semana, o contágio pela “cepa indiana” já havia sido confirmado em dois moradores de Gramado, na mesma região. Outras nove suspeitas estão sob investigação.

Esse infectado mais recente apresentou sintomas em 24 de junho, durante viagem ao Rio de Janeiro, e foi submetido a exame de RT-PCR de biologia molecular para diagnóstico da doença em 29 de junho, retornando ao Estado no mesmo dia. Ele permaneceu em isolamento doméstico e já está liberado, assim como seus familiares – todos assintomáticos.

O sequenciamento genético completo que comprovou se tratar da variante delta foi realizado pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), no Rio de Janeiro.

No caso dos dois gramadenses infectados pela variante Delta, ambos têm vínculo entre si mas, diferente do morador de Nova Bassano, não apresentavam histórico de viagem recente para fora do Rio Grande do Sul.

Até a noite desta quinta-feira, ao menos cinco casos suspeitos da “cepa indiana” aguardavam resultado de exames pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro. São eles um outro cidadão de Gramado (também contactante do primeiro infectado), dois de Sapucaia do Sul, um de Esteio e um de Canoas (Região Metropolitana).

O Laboratório Central do Estado (Lacen) ainda deve enviar para análise na próxima segunda-feira (29) mais quatro amostras. As suspeitas abrangem moradores de Alvorada, Esteio, Passo Fundo e São José dos Ausentes.

Amostras biológicas de um paciente de Santana do Livramento (Fronteira-Oeste) também chegaram a ser enviadas para análise. Mas testes do Laboratório Central do Estado (Lacen) já descartaram a hipótese.

Metodologia

Por meio do Lacen e do CDCT, o Cevs realiza testes preliminares para identificação desses casos suspeitos, incluindo  o sequenciamento parcial. As análises determinam se a amostra é uma provável VOC (“variante de preocupação”, em uma livre tradução do inglês) a partir da identificação de genes específicos para cada tipo de coronavírus.

Ao serem enviadas para a Fiocruz, as amostras passam por um sequenciamento genômico completo. O objetivo é obter detalhes do perfil de mutações e classificar com precisão a linhagem de cada amostra.

Características

Com origem na Índia e identificada pela série “B.1.1.617.2”, a variante Delta do coronavírus tem como principal característica – já comprovada cientificamente – o maior grau de transmissibilidade. A linhagem também encontra menor resistência por parte dos anticorpos produzidos por vacinas: apenas uma dose (nos imunizantes de duas aplicações) pode ser pouco efetiva contra essa cepa.

Já no que se refere à à gravidade, ainda não há evidências de que a variante Delta provoque um quadro mais ou menos severo da doença em relação a outras linhagens. Por esse e outros motivos, é fundamental que mesmo os indivíduos já imunizados mantenham os cuidados básicos de prevenção ao coronavírus, sobretudo no que se refere ao uso da máscara e aos procedimentos de higienização e distanciamento social.

(Marcello Campos)