“Nós precisamos ouvir e dizer eu te amo”, diz Frei Jaime Bettega, em palestra na CIC/GDI

0
149

"Nós precisamos ouvir e dizer eu te amo", diz Frei Jaime Bettega, em palestra na CICA reflexão sobre o significado da espiritualidade em tempos de mudanças foi o foco da palestra, promovida pela CIC e Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas (ADCE), no final da tarde de quinta-feira, 22 de novembro, com o Frei Jaime Bettega. Na ocasião, o fundador do Projeto Mão Amiga, que auxilia crianças em vulnerabilidade social, falou sobre a importância de cada um ser protagonista de uma resposta de vida para o tempo atual.

“Para viver mais e melhor é preciso parar de ‘brontolar’. Nós reclamamos demais. É mais fácil e cômodo ser pessimista e negativo. Para ser otimista é preciso colocar as energias em movimento”, salientou. Segundo o religioso, as tecnologias surpreendem a cada dia, mas ele, por si só, não é uma ameaça. Bettega afirmou que a maior ameça é deixar de ser humano em tempos de muitas tecnologias.

“Essa evolução vai substituir muitas coisas que nós fazíamos. Mas, em muitos casos, vai humanizar e valorizar a vida das pessoas, que eram submetidas a trabalhos degradantes. Por outro lado, teremos que ampliar nossa capacidade de sermos humanos. Por mais tecnologia que exista, nenhum equipamento vai conseguir dizer, com sentimento, ‘eu te amo’. E nós precisamos dizer e ouvir isso”.

O sacerdote diz que a maioria das pessoas entende espiritualidade como frequentar um culto ou uma missa. Ele enfatizou que todos possuem espiritualidade, de jeitos diferentes. “É preciso entender as diferenças. E quem está nos ensinando isso é o Papa Francisco. Ele se preocupa com o humano e não se interessa com os adereços, seja a cor da pele, a cultura ou a situação. E isso é bonito”, ressaltou.

Bettega diz que existe muito julgamento em relação aos outros. “A humanidade não pode se distrair das sobras humanas que vão ficando ao longo do caminho. O mundo está melhorando. Precisamos melhorar também. Os tempos são outros. Não vivemos uma época de mudanças, mas uma mudança de época e em uma velocidade muito grande”.

Ele também lembrou que a vida é feita de escolhas e isso pressupõe que se tenha uma noção clara do que é liberdade. Para o Frei, isso gera crises, mas as crises fazem parte do desenvolvimento das pessoas. “A maior crise é aquela que gera o conflito entre ficar acomodado ou dar um passo. A pior crise delas é a perda da humildade. Fizemos a maior parte das coisas para mostrar para os outros e não para nos deixar felizes”, disse.