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Polifenóis de Araucaria angustifolia são pesquisados na UCS para auxiliar na terapia contra o câncer
By Volben Propaganda On 16 jun, 2016 At 07:03 PM | Categorized As Slider Inicial, Vida e Saúde e Beleza | With 0 Comments

 

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Doutoranda Cátia dos Santos Branco (à esquerda) com a sua orientadora Mirian Salvador.

Falhas” na pinha possuem compostos fenólicos capazes de modular o metabolismo de células tumorais e não tumorais.

A Araucaria angustifolia, encontrada no Hemisfério Sul, ganha mais uma utilidade além daquelas que já conhecemos, como na ornamentação, no paisagismo ou simplesmente pelo sabor de seus pinhões. A atividade biológica desta árvore é alvo de estudo no Laboratório de Estresse Oxidativo e Antioxidantes, que integra o Instituto de Biotecnologia da Universidade de Caxias do Sul. Popularmente conhecida como pinheiro-brasileiro, a Araucaria angustifolia apresenta pinhas constituídas por pinhões e brácteas (que são as falhas, ou seja, pinhões que não se desenvolveram). Enquanto os pinhões são utilizados para consumo, as brácteas são descartadas como resíduos.

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Em estudos realizados pelo grupo de pesquisa do Laboratório, coordenado pela professora Dra. Mirian Salvador, foi demonstrado que o extrato proveniente das brácteas de Araucaria angustifolia possui quantidades significativas de polifenóis, compostos fenólicos capazes de modular, diferentemente, o metabolismo de células tumorais e não tumorais.

O aumento da incidência de neoplasias em nível mundial expõe a necessidade contínua do desenvolvimento de novos fármacos para a terapêutica do câncer. “A pesquisa de novas moléculas a partir de extratos naturais representa uma abordagem valiosa quando se busca novos medicamentos com maior especificidade e menor toxicidade”, salienta Mirian.

Assim, a pesquisa na UCS – que conta com o apoio da FAPERGS e CNPq – busca estudar os efeitos biológicos e mecanismos de ação de brácteas de Araucaria angustifolia. A pesquisa, conforme Mirian, procura encontrar moléculas com atividade biológica. “Os resultados obtidos até o momento demonstram que o extrato natural de resíduos da pinha de Araucaria angustifolia apresenta potencial para ser utilizado como fonte de moléculas bioativas na terapêutica do câncer. Entretanto, futuros estudos são necessários para tentar identificar qual(is) substância(s) são capazes de exercer efeito no metabolismo das células de câncer e quais são os alvos de ação específicos destas”, ressalta a pesquisadora.

A pesquisa na UCS envolve doutorandos em Biotecnologia e bolsistas de iniciação científica. Uma parte do trabalho foi realizada no Canadá, em parceria com os pesquisadores Gustavo Scola (que realizou mestrado e doutorado em Biotecnologia na UCS), Ana Cristina Andreazza (graduada pela UCS) e Cátia dos Santos Branco (aluna de doutorado em Biotecnologia na UCS). E conta também com a publicação de diversos artigos científicos e o depósito da patente “Processo de produção de extrato de Araucaria angustifolia e extrato obtido e composição compreendendo extrato” (PI 1001084-0), no INPI – Instituto Nacional de Propriedade Intelectual, com autoria de Mirian Salvador, Patrícia Kelly Wilmsen Dalla Santa Spada e Fabiane Michelon.

Tese de doutorado

Cátia dos Santos Branco, orientada pela professora Mirian Salvador, dá continuidade à pesquisa sobre o extrato proveniente das brácteas de Araucaria angustifolia em seu doutorado em Biotecnologia com o título “Atividade antiproliferativa de extrato de Araucaria angustifolia em células tumorais de laringe HEp-2”. Ela explica que, com os casos crescentes de câncer na população mundial, vê-se a necessidade de impulsionar as pesquisas buscando identificar novos compostos com efetividade na terapêutica do câncer. “Nesse contexto, os produtos naturais representam uma fonte promissora de moléculas químicas em potencial. Em nossa pesquisa, estamos utilizando um extrato rico em compostos bioativos proveniente de resíduos da pinha de Araucaria angustifolia que apresenta importante efeito antitumoral in vitro.”

Dessa forma, o objetivo do estudo da doutorada é buscar identificar quais classes de moléculas são responsáveis por esse efeito e quais os alvos moleculares de ação destes compostos, contribuindo assim para a pesquisa de novos fármacos antitumorais tendo como base os produtos naturais.

Fotos/crédito: Claudia Velho

 

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