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Por que os jovens são os mais afetados pelo desemprego. Saiba o que fazer para não desanimar
By Volben Propaganda On 28 maio, 2016 At 11:59 AM | Categorized As Slider Inicial, Variedades | With 0 Comments
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Ane e Shaiane, moradoras do Morro da Polícia Foto: Adriana Franciosi

Nos últimos doze meses, taxa de desemprego subiu 50% entre trabalhadores de 16 a 24 anos

 

É entre jovens de 16 a 24 anos que a disparada do desemprego tem feito seu maior estrago. São trabalhadores que sequer conseguem ingressar no mercado ou que, após as primeiras chances, já experimentaram a experiência da demissão.Em Porto Alegre e na Região Metropolitana, a taxa de desemprego nessa faixa etária chegou à marca de 24,3% em abril.

É mais que o dobro da média geral, de 10,5%, segundo dados divulgados na última semana pelo Dieese e pela Fundação de Economia e Estatística (FEE).O mais assustador é que o índice cresceu 50,9% em um ano – em abril de 2016, a taxa era de 16%.

Tradicionalmente o desemprego é mais alto entre os jovens. Porém, o que chama atenção da economista da FEE Iracema Castelo Branco é a velocidade com que esse índice vem crescendo.

Para a doutora em Desenvolvimento Humano Ana Lígia Nunes Finamor, o jovem se torna ainda mais frágil frente ao cenário de desemprego:

— É a decepção de estar chegando no mercado e ser demitido. Muitos precisam deixar os estudos. Isso é grave, são jovens com pouco estudo, baixa autoestima e sem experiência. Trata-se de uma geração de jovens que terá problemas para dar início a sua carreira.

 A agonia de ficar esperando

A falta de qualificação vai cobrar seu preço no futuro, quando a crise passar, prevê Ana Lígia. Enquanto a competitividade aumenta, as oportunidades de experiência encolhem. É desse labirinto que as amigas de infância, Ane Lemos da Silva, 22 anos, e Shaiane Dias, 21 anos, não conseguem se desvencilhar.

Elas mal sentiram o gostinho de ter a carteira de trabalho assinada e já estão provando o sabor do desemprego. Desde o final do ano passado, participam de seleções no Sine. E a falta de dinheiro torna a procura ainda mais difícil para as duas. Moradoras do Morro da Polícia, no Bairro Aparício Borges, em Porto Alegre, vão juntas para o Centro uma vez por semana procurar emprego. Passam o dia fora apenas com o dinheiro da passagem e, de vez em quando, com algo mais para o lanche.

 

Nenhuma ligação

Por medo de serem assaltadas, só uma delas leva o celular, que fica escondido na roupa. Sem computador em casa, as jovens fazem e imprimem o currículo em lan houses.

— A impressão que dá é que, até agora, só jogamos papel fora. Já distribuí uns 20 currículos, e ninguém sequer me ligou — conta Shaiane, desanimada.

Além da pouca experiência – ela foi vendedora por alguns meses, e Ane atuou como auxiliar de serviços gerais –, a baixa escolaridade da dupla só faz as dificuldades aumentarem. Shaiane tem o Ensino Fundamental completo, e Ane ainda precisa concluir o 9º ano. Ela sonha em trabalhar para ampliar a casa de duas peças onde vive com a filha, de quatro anos, e o marido, o mecânico João, 28 anos.

— É uma agonia ficar esperando uma ligação. Ficamos pensando, ¿será que é hoje que vão ligar?¿ — diz Ane, que, no final do ano passado, tinha como meta começar a trabalhar em janeiro.

— A gente está aceitando qualquer coisa, não tem o que escolher. É ruim depender dos outros até para pedir uma passagem de ônibus — desabafa Shaiane.

 

Por estágio, 140 mil jovens na fila no RS

Para quem procura um estágio, a dificuldade também existe. O gestor de Relações Institucionais do Ciee-RS, Cláudio Inácio Bins, afirma que atualmente há 140 mil jovens aguardando uma vaga de estágio ou de aprendizagem profissional em todo o Estado. Este é um dos números mais altos dos últimos tempos: até 30% a mais do que a média.

Vitória de Souza Alves, 17 anos (na foto ao lado), está entre a legião de jovens que espera pela sua primeira experiência profissional. Estudante do terceiro ano do Ensino Médio em Porto Alegre, ela está concorrendo a um estágio desde dezembro. Sonha em ter a primeira oportunidade para poder trabalhar e pagar o seu Ensino Superior.

 

ZH

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