NOTÍCIAS DE BENTO – EDUCAÇÃO EM TEMPOS DE PANDEMIA: FAMÍLIA E SUPERAÇÃO

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Uma palavra que ganhou força neste período de pandemia e se tornou um mantra é ‘Reinventar’. Nesta perspectiva, o horizonte se apresentou tecnológico para muitos setores.

A Secretaria de Educação focou seus esforços no Ensino Remoto, alternativa que possibilitou cumprir com o Ano Letivo. Equipes diretivas, professores, alunos e famílias precisaram se adaptar a esse novo normal, demonstrando um esforço coletivo de superação. A Rede Municipal de Ensino conta com, aproximadamente, 11 mil alunos. Destes, 23% optou por retirar o material nos educandários, além de terem aulas pela plataforma EducaWeb. Já, os outros 77% realizam de forma totalmente virtual pela mesma plataforma.

Conforme em matéria veiculada pelo site da Prefeitura as casas tornaram-se uma extensão da sala de aula e as famílias precisaram se organizar. Neste especial selecionamos algumas histórias de superação e inspiração, em que a educação é a força motriz para lutar por um futuro promissor.

Aylla

“A Educação é uma prioridade em nossas vidas”, afirma Rochele Molinari Godoy, mãe da pequena Aylla, que estuda na Escola Municipal Infantil Bom Pastor (EMI). A jornada de trabalho dela e do marido, Marcos Odair Frey, é puxada. Ele trabalha em home office, ela num supermercado da cidade, inclusive nos fins de semana. E quando a pandemia invadiu suas vidas, precisaram se adaptar e reestruturar o cotidiano de forma que pudessem conciliar o acompanhamento escolar da filha.

“Optamos por ir buscar o material na escola. No começo, sentimos muita dificuldade para realizar as tarefas. No entanto, com o auxílio e orientações da equipe diretiva e de professores conseguimos acompanhar o processo educacional de nossa filha”.

Neste percurso de um ano de Ensino Remoto, pai e mãe abriram um espaço à noite para acompanhar os estudos de Aylla, e observam que a empreitada está sendo prazerosa:

“Sempre estamos estimulando a Aylla com brincadeiras lúdicas e educativas, além das atividades propostas pela escola. E isso está motivando eu e meu marido a buscar uma nova graduação, pois entendemos que a educação é um processo de desenvolvimento integral de todas as potencialidades do indivíduo. E para educar se faz necessário ouvir, amar, respeitar e acolher todas as diferenças. A educação é o caminho da autotransformação”.

Apesar da fragilidade que a pandemia expôs ao ser humano, Rochele afirma que é preciso caminhar junto, se cuidando e respeitar os regramentos das medidas sanitárias, para, ao final comemorarmos juntos.

“O cenário está muito difícil, porém acreditamos que essa fase vai passar, e no final do ano vamos estar todos juntos na escola com as crianças realizando suas apresentações. No ano passado foi realizado através de drive thru que foi muito legal, porém sentimos saudades da maneira que sempre foi feito, ou seja, ao final de cada apresentação abraçar nossos filhos, professores e amigos, como uma grande comunidade”.

Paloma

Paloma foi diagnosticada com a Diabetes Tipo-1 quando tinha cinco anos. De lá para cá, sua rotina foi definida pelo tratamento que precisa para controlar os níveis de glicemia. Seus pais sempre incentivaram a sua autonomia e, a partir dos seis anos, Paloma já se aplicava a insulina. Mas isso não a desmotivou a seguir nos estudos.

Sempre amparada pelos pais, Aline Cortes Jorge Foresti e Jones Foresti, Paloma, hoje com nove anos, sentiu muito quando não pode mais ir à escola onde estuda, que é EMTI São Roque.

“Os maiores desafios que ela enfrenta é seguir sem traumas, pois está praticamente o tempo todo dentro de casa. Conversamos muito com ela, pois além de toda esta mudança de rotina, influenciou muito na questão da doença, a qual tem altos e baixos. Com calma, corrigimos e seguimos controlando. Mesmo distante estamos em contato com os professores, e está aceitando de forma positiva essa nova forma de ensino”.

Assim, Paloma segue à risca o tratamento numa jornada que se inicia às 2h, quando os pais verificam o índice glicêmico e corrigindo se necessário. Às 6h30, toma café da manhã e se aplica a insulina que precisa ser injetada toda vez que for se alimentar. E isso se repete às 11h30 quando almoça, no lanche da tarde às 15h, e às 18h30, quando janta. As aulas são visas na parte da manhã e seus pais conferem com ela o tema e já pensa em uma profissão: arquiteta.

Aline Foresti compartilha o desejo que o mundo tem de que a vacina chegue logo a todos, que a escola possa conseguir voltar a receber os alunos, “pois o convívio social é muito importante para não nos tornarmos egoístas. Estamos num momento onde a palavra empatia precisa ser exercida cada vez mais”.

Olívia Soares

“Educação é esperança”, diz Olíva Soares, aluna da Totalidade 3 (EJA), da EMEF Ulysses Leonel De Gasperi. Natural de Lagoa Vermelha, quando tinha 6 anos de idade, sua mãe faleceu. Passou a viver com as três irmãs e o pai. Na época, estava cursando a quarta série. O pai adoeceu, e sem condições de cuidar dela, a irmã mais velha a convidou para vir morar em Bento Gonçalves. Ela, sem muita opção, abandonou a cidade de Lagoa Vermelha e a escola, aos 10 anos.

Após 40 anos, Olívia decide a voltar a estudar. Ingressa, em 2020, na Totalidade 2, que é a fase da alfabetização. Agora, está na Totalidade 3 correspondente ao 4º ano. Feliz e aplicada aos estudos, Olívia vai à escola duas vezes por semana para retirar atividades. A pedido dela, a equipe diretiva e os professores sempre providenciam atividades extras para que ela possa realizar em casa.

No momento desempregada, Olívia divide seu tempo entre os afazeres de casa e os estudos:“estou estudando para conseguir uma oportunidade melhor de trabalho. Acredito que a educação é fundamental para uma vida mais digna. A oportunidade de retornar à Escola, de poder fazer as atividades, está sendo a minha prioridade desde 2020, quando retornei aos estudos, após 40 anos sem frequentar a escola”.

Augusto Jorge

Augusto Jorge já iniciou sua vida escolar no Ensino Remoto. Matriculado no Jardim A da Escola Municipal de Ensino Fundamental Recanto Alvi Azul, e portador da Síndrome de Down, ingressou em 2021 demonstrando ser uma criança com muita disposição. Ele e sua família participam ativamente das atividades pedagógicas propostas pela professora Sabrina Ben e acompanhadas pela supervisão da escola.

Durante o dia, Augusto Jorge fica com a avó materna. E, à noite, realiza as atividades ou nos fins de semana: “nosso maior desafio é conciliar as tarefas do dia a dia e os estudos à noite, porque quando chegamos em casa, após a jornada de trabalho, nem sempre ele está disposto a realizar a atividade. Por algumas vezes acabamos ficando frustrados, por ter reservado aquele momento e ele não querer. Então com muita paciência, vamos brincando, da forma mais leve possível e se, mesmo assim ele não quiser fazer, não obrigamos e realizamos em outra oportunidade.”, comenta a sua mãe, Karina.

Além da escola, Augusto Jorge tem atividades extracurriculares, frequenta a fonoaudióloga, psicomotricista.

“Prezamos muito pela educação e acreditamos que a participação dos pais é importantíssima para a evolução da criança na escola. No nosso caso mais ainda, porque precisamos trabalhar em conjunto: família, escola e os atendimentos que ele frequenta. Só assim ele se desenvolverá melhor. Ele sabe se comunicar super bem, e entende tudo o que é dito. Lembrando que ele tem um atraso no desenvolvimento, porém estamos aqui para apoiá-lo e fazer com que seja o mais independente possível”, salienta.

 

Assessoria de Comunicação Social Prefeitura 

Foto: Divulgação/ Escola Ulysses Leonel de Gasperi