Quase 2 milhões de trabalhadores gaúchos estavam na informalidade durante o primeiro trimestre

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Um relatório divulgado nesta terça-feira (21) pela SPGG (Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão) do governo gaúcho estima em 1,84 milhão o continente de trabalhadores inseridos no mercado informal do Rio Grande do Sul no período de janeiro a março. Esse número, que representa 33% da população ocupada no Estado, ficou 5,3% abaixo do verificado no último trimestre de 2019.

Apesar de a pandemia de coronavírus ter começado em março (terceiro e último mês analisado pelo recorte de tempo do estudo), os pesquisadores Guilherme Xavier Sobrinho e Raul Bastos avaliam que os resultados já mostram os primeiros impactos das medidas restritivas de combate à Covid-19 impostas pelas autoridades municipais e estaduais.

A categoria “Trabalhadores por Conta Própria sem Registro no CNPJ” (que engloba autônomos em geral e o comércio de ambulantes, dentre outros) registrou uma queda de 52 mil pessoas ocupadas, em comparação ao trimestre anterior (outubro a dezembro). Em seguida aparece o segmento “Empregados Sem Carteira Assinada”, com menos 32 mil pessoas ocupadas, nessa mesma base temporal.

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“Ainda que a redução da taxa represente uma mudança modesta na composição da ocupação total do Estado, trata-se de um indício de que os informais estão sendo mais atingidos pela contração da atividade econômica verificada no primeiro trimestre de 2020, causada pela pandemia do coronavírus, uma vez que perderam peso relativo na ocupação total do Rio Grande do Sul”, ressalta Bastos.

O documento foi elaborado por técnicos do DEE (Departamento de Economia e Estatística) da Seplag e está dividido em duas partes, enfatizando dados sobre a evolução dos empregos formais por região gaúcha. Como base, informações da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) e da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios).

Outros aspectos

A redução do contingente de informais no mercado de trabalho não é o único aspecto que se destacou de janeiro a março. A FT (Força de Trabalho) do Rio Grande do Sul – que mostra o número de pessoas empregadas ou em busca de emprego – chegou a 6,083 milhões de pessoas, 86 mil a menos do que no quarto trimestre do ano passado, segunda maior queda trimestral desde 2012.

O nível de ocupação (índice de ocupados em relação às pessoas em idade para trabalhar, ou seja, a partir de 14 anos) atingiu 58,3% no Estado nos três primeiros meses do ano, além de interromper uma trajetória de recuperação iniciada no terceiro trimestre de 2018. De outubro a dezembro do ano passado, o índice atingiu 60%, o que representou 149 mil menos pessoas no contingente gaúcho de ocupados.

Outro aspecto sublinhado pelo boletim é que a taxa de desemprego no Rio Grande do Sul no primeiro trimestre representou 8,3% da população economicamente ativa, contra 7,1% do quarto trimestre de 2019 – no Brasil, essa índice chegou a 12,2%. Considerando-se os mercados formal e informal, 504 mil pessoas estavam desempregadas no Estado de janeiro a março.

Quanto ao rendimento das pessoas ocupadas, o valor médio mensal permaneceu praticamente estável na comparação com o trimestre anterior (R$ 2.517 contra R$ 2.534)

(Marcello Campos)